terça-feira, 25 de novembro de 2008

The kiss

Uma noite calma, gelada e instável. Ao longe vejo um grupo de pessoas se alimentando indo e conversando entre si, não muito longe dois meninos de rua sob a sombra do ipê amarelo sem flores dialogando e engolindo vorazmente a fumaça de um tabaco barato e eu aqui em frente à luz de uma sorveteria trocando fluidos, hormônios e caricias com outro ser... Seria bom se me concentra-se neste singelo ato de afeto, mas mesmo assim não consigo parar de refletir sobre os velhos tempos de coca-cola com vodka, das risadas dadas no mesmo local, sobre os pequenos planos para o futuro incerto... Oh ele muda de posição e faz algo com seu estranho órgão muscular e enquanto tenta ter um bom desempenho com esta insana troca de fluídos eu nem ao menos presto atenção onde estão suas mãos e continuo inexpressiva, frigida, absorvida em meus pensamentos nas recordações... Oh Deus, ele acaba de dizer a frase mais inteligente da noite.

- esta chovendo, vou te levar em casa!

- Eu realmente não queria ficar o resto de minha madrugada neste minúsculo impulso movido por duas línguas e por absorção de um liquido transparente.

Um comentário:

Edmar Ruvsel disse...

Deixaste uma ambigüidade depravada no ar... parece muito com um texto meu, mas sem a troca de fluídoos. belo texto